
Falar sobre saúde mental no setor funerário é reconhecer uma realidade muitas vezes invisível, mas profundamente impactante, assim como analisa Tiago Schietti. Profissionais que atuam nesse segmento convivem diariamente com a dor, o sofrimento e a perda, o que exige não apenas preparo técnico, mas também equilíbrio emocional constante.
Apesar da importância do tema, ainda há pouco espaço para debates abertos sobre o impacto psicológico do trabalho funerário. Valorizar a saúde mental desses profissionais é essencial para garantir serviços mais humanizados, equipes mais estáveis e um ambiente de trabalho mais saudável e sustentável. Leia para saber mais sobre o tema!
O peso emocional da rotina funerária
Segundo Tiago Schietti, a rotina no setor funerário envolve contato frequente com situações de luto intenso, despedidas traumáticas e emoções à flor da pele. Esse contexto pode gerar sobrecarga emocional, especialmente quando não há tempo ou apoio adequado para o processamento dessas experiências.
Com o passar do tempo, a exposição contínua a esse tipo de situação pode levar ao desgaste psicológico, afetando a motivação, a empatia e até a vida pessoal do profissional. Reconhecer esse peso emocional é o primeiro passo para construir estratégias de cuidado mais efetivas.
Por que a saúde mental desses profissionais é tão negligenciada?
Historicamente, o setor funerário é associado à discrição e ao silêncio, o que contribui para a invisibilidade das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Muitas vezes, espera-se que esses profissionais sejam emocionalmente resistentes, como se o contato constante com a morte não gerasse impactos internos.
Essa cultura de silenciamento dificulta a busca por ajuda e o reconhecimento de sinais de sofrimento psíquico. A negligência com a saúde mental acaba sendo naturalizada, o que reforça ciclos de estresse, ansiedade e esgotamento emocional.

Cuidar de quem cuida do luto é essencial na saúde mental funerária, avalia Tiago Schietti.
Principais riscos psicológicos no ambiente funerário
- Estresse crônico associado à pressão emocional do atendimento;
- Ansiedade diante de situações traumáticas recorrentes;
- Síndrome de burnout causada por sobrecarga e falta de apoio;
- Dificuldade de separação entre vida profissional e pessoal;
- Insensibilização emocional ou, ao contrário, hipersensibilidade.
Na visão de Tiago Schietti, identificar esses riscos permite que empresas e gestores atuem de forma preventiva, evitando agravamentos que comprometem a saúde dos profissionais e a qualidade do serviço prestado.
O papel das empresas no cuidado emocional das equipes
As empresas funerárias têm papel fundamental na promoção da saúde mental de seus colaboradores. Criar ambientes de trabalho mais acolhedores, com espaços de escuta e diálogo, contribui para a redução do estresse e para o fortalecimento emocional das equipes, assim como frisa Tiago Schietti.
Além disso, políticas internas que valorizem pausas, escalas equilibradas e reconhecimento profissional ajudam a diminuir a sensação de sobrecarga. O cuidado emocional precisa ser tratado como parte da gestão, e não como uma responsabilidade individual isolada.
Comunicação, apoio e empatia no ambiente de trabalho
Conforme sustenta Tiago Schietti, uma comunicação interna clara e empática é essencial para fortalecer a saúde mental no setor funerário. Quando os profissionais se sentem ouvidos e compreendidos, a confiança aumenta e o ambiente se torna mais seguro emocionalmente.
O apoio entre colegas e lideranças também exerce papel importante. Relações baseadas em respeito, solidariedade e empatia ajudam a criar uma rede de suporte capaz de amenizar os impactos emocionais do dia a dia funerário.
Caminhos para promover saúde mental de forma contínua
Em conclusão, promover a saúde mental no setor funerário exige ações contínuas e estruturadas. Investir em capacitação emocional, oferecer acompanhamento psicológico quando possível e estimular o autocuidado são medidas que fazem a diferença a longo prazo.
Ao reconhecer que cuidar da saúde mental dos profissionais é essencial para a sustentabilidade do setor, empresas funerárias fortalecem não apenas suas equipes, mas também a qualidade do atendimento prestado às famílias. Cuidar de quem cuida é um compromisso ético que precisa ganhar cada vez mais espaço.
Autor: Andrey Zarrasotw









