No setor em que a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento atua, um problema técnico chama atenção há anos: uma parcela expressiva da água tratada no Brasil nunca chega às torneiras das residências. Estudos do setor apontam perdas de distribuição acima de 40% do volume produzido, índice esse que supera com folga o limite técnico considerado aceitável pelas boas práticas internacionais. O cenário reúne falhas de infraestrutura, vazamentos não detectados e fragilidades na gestão operacional das redes.
As causas desse desperdício são múltiplas e se acumulam ao longo de décadas de investimento insuficiente. Tubulações antigas, muitas com mais de quarenta anos de uso, apresentam rupturas frequentes que nem sempre são identificadas a tempo. Ligações clandestinas e falhas de medição também contribuem para o volume de água que se perde entre a estação de tratamento e o consumidor final, problema que afeta tanto grandes capitais quanto municípios de pequeno porte.
Onde a água se perde pelo caminho?
Parte da resposta está na forma como as redes são monitoradas e mantidas ao longo do tempo. No segmento em que a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento se insere, a manutenção preventiva e a substituição de trechos críticos das redes têm ganhado espaço como estratégia central para reduzir perdas físicas, aquelas relacionadas diretamente a vazamentos e rompimentos de tubulação.
Além das perdas físicas, o setor lida com as chamadas perdas aparentes. Erros de medição, fraudes e falhas no cadastro de ligações dão origem a esse problema, que não representa desperdício de água no sentido literal, mas impacta diretamente a receita das prestadoras de serviço, dificultando o financiamento de novas obras de expansão e modernização da infraestrutura existente.
Os números das perdas de água no Brasil
Levantamentos recentes do setor mostram que a média nacional de perdas na distribuição ultrapassa 41%, distante do teto de 25% considerado adequado pelas boas práticas internacionais. Estima-se ainda que cerca de 39% da água potável produzida no país seja perdida antes de chegar às residências, volume suficiente para abastecer milhões de pessoas que hoje vivem sem acesso regular ao serviço de água tratada.
Diferenças históricas de investimento e capacidade técnica das prestadoras locais explicam boa parte da variação desses índices entre regiões do país. Na avaliação de profissionais do setor, entre eles os da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, a redução de perdas está diretamente associada a ganhos de eficiência energética, já que menos água extraída e tratada significa menor consumo de energia em toda a cadeia de abastecimento.
Além da dimensão técnica, existe uma dimensão social relevante nesse debate. Água perdida na distribuição representa recursos hídricos captados, tratados e transportados sem qualquer retorno para a população, em um país onde milhões de pessoas ainda não têm acesso regular ao serviço. Reduzir esse desperdício, portanto, não é apenas uma meta de engenharia, mas também uma forma indireta de ampliar a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente de novas captações.

EBS Empresa Brasileira De Saneamento Ltda
Por que os índices de perda seguem tão altos?
Boa parte da resposta está no histórico de investimentos do setor, que apresenta um déficit notável. Estudos indicam que o valor médio aplicado por habitante ainda está distante do patamar considerado necessário para universalizar o acesso à água até 2033, prazo estabelecido pelo Novo Marco Legal do Saneamento. Sem aporte constante em modernização de redes, os índices de perda tendem a se manter elevados por mais tempo do que o desejável para o setor.
Há também um componente de gestão comercial envolvido nesse desafio. Conforme analisado pela EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, o controle de perdas exige integração entre equipes de operação, manutenção e faturamento, algo que muitas prestadoras ainda constroem de forma gradual e nem sempre uniforme entre diferentes regiões do país.
Tecnologia e gestão como resposta ao desperdício
Sensores de vazão, sistemas de monitoramento remoto e ferramentas de inteligência artificial para previsão de falhas têm se tornado aliados na detecção precoce de vazamentos. A identificação antecipada de anomalias na pressão das redes, antes que se transformem em rupturas visíveis, reduz o tempo de resposta das equipes de manutenção e o volume de água perdida em cada ocorrência registrada.
Setores especializados também têm investido em setorização das redes, prática que divide o sistema em áreas menores e facilita a localização de vazamentos, além de permitir o controle de pressão de forma mais precisa em cada trecho. A combinação entre tecnologia e planejamento tende a se tornar cada vez mais determinante para o desempenho das prestadoras nos próximos anos.
Programas de troca de hidrômetros antigos por modelos mais precisos também contribuem para reduzir as perdas aparentes, já que equipamentos desgastados costumam subestimar o volume real consumido. Combinada à setorização e ao monitoramento remoto, essa renovação do parque de medição tende a gerar ganhos consistentes de eficiência ao longo de poucos anos de operação.
À medida que mais municípios adotam esse tipo de solução, a expectativa é que os índices de perda comecem a recuar de forma mais consistente. Para companhias como a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, reduzir o desperdício de água tratada não é apenas uma questão de eficiência operacional, mas também um passo relevante para acelerar a universalização do saneamento básico em todo o território nacional.









