Julho é mês de conscientização sobre uso da IA e ONU discute governança global da tecnologia; entenda os riscos para o cidadão.
O Brasil está entre os países que mais usam inteligência artificial no mundo, e esse protagonismo trouxe também um efeito colateral preocupante: o avanço de golpes digitais que se aproveitam justamente dessas ferramentas. Levantamentos recentes mostram que uma fatia expressiva da população brasileira já foi vítima de fraude virtual, e o tema ganhou ainda mais peso neste mês, definido como período de conscientização sobre o uso responsável da tecnologia O Brasil é o terceiro país que mais utiliza o ChatGPT, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, e pesquisa indicou que 75% da população percebe que a Inteligência Artificial já faz parte da rotina, enquanto um em cada três brasileiros já foi vítima de golpe virtual. A pergunta que fica para o leitor comum é direta: como uma tecnologia tão presente no dia a dia pode, ao mesmo tempo, facilitar tanto fraudes contra o próprio usuário? Jornal do Comércio
Por que os golpes com IA estão crescendo
A resposta está na própria versatilidade da inteligência artificial. As mesmas ferramentas capazes de gerar textos, imagens e vozes de forma realista também podem ser usadas por criminosos para criar mensagens de phishing mais convincentes, imitar vozes de familiares em golpes telefônicos ou até simular vídeos falsos de pessoas conhecidas. Como a tecnologia ficou mais acessível e barata, o custo para um golpista montar uma fraude sofisticada caiu bastante nos últimos anos, o que ajuda a explicar o crescimento constante dos casos registrados por órgãos de segurança pública em diferentes estados do país.
Esse cenário levou o tema da regulação e do uso responsável da IA para o centro do debate internacional. Recentemente, a Organização das Nações Unidas promoveu seu primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, reunindo representantes de quase 200 países para discutir regras comuns para uma tecnologia que avança mais rápido do que a capacidade de regulação dos governos A inteligência artificial está avançando a uma velocidade enorme, capaz de remodelar economias, transformar o mundo do trabalho, influenciar eleições e alterar o equilíbrio da segurança, sendo implantada mais rapidamente do que qualquer pessoa consegue acompanhar. Esse discurso de abertura resume bem a preocupação que motiva o debate hoje: a tecnologia já está no cotidiano das pessoas antes mesmo de existir consenso sobre como controlá-la com segurança. United Nations Brazil
O papel da regulação e o que ainda falta no Brasil
Enquanto o debate internacional avança, o Brasil ainda está em processo de estruturar sua fiscalização sobre o uso de inteligência artificial, o que na prática significa que boa parte da responsabilidade por um uso seguro recai sobre empresas e usuários individuais. Não existe, até o momento, um marco legal totalmente consolidado que trate especificamente de responsabilidade algorítmica e proteção de dados no uso cotidiano da IA, embora o tema esteja avançando no Congresso Nacional e ganhe força nas discussões corporativas ao longo deste ano.
Essa lacuna regulatória reforça a importância da informação como principal ferramenta de defesa do cidadão comum. Especialistas em segurança digital costumam recomendar desconfiar de ligações ou mensagens urgentes pedindo dinheiro ou dados pessoais, mesmo quando a voz ou a imagem parecem familiares, já que ferramentas de IA generativa tornaram esse tipo de simulação cada vez mais convincente. Verificar informações por um segundo canal de contato, como uma ligação direta para a pessoa supostamente envolvida, continua sendo uma das formas mais eficazes de identificar uma tentativa de fraude antes que ela cause prejuízo financeiro.
Como o morador de Mogi das Cruzes pode se proteger
No dia a dia, a proteção contra golpes com IA passa por hábitos simples, mas nem sempre praticados. Evitar clicar em links recebidos por mensagem sem confirmar a origem, desconfiar de promoções ou pedidos de dados bancários fora dos canais oficiais de bancos e órgãos públicos, e manter aplicativos de segurança atualizados no celular são medidas básicas que reduzem bastante o risco de cair em uma fraude. Vale lembrar que instituições como bancos, INSS e prefeituras não costumam solicitar senhas ou códigos de verificação por telefone ou mensagem.
Para quem se sentir vítima de algum tipo de golpe digital, o caminho recomendado é registrar boletim de ocorrência o quanto antes e comunicar imediatamente o banco ou a instituição envolvida, já que a agilidade nesse processo pode ajudar a bloquear transações fraudulentas em andamento. Acompanhar campanhas de conscientização, como as promovidas neste mês voltado ao uso responsável da inteligência artificial, é uma forma simples de se manter informado sobre novas modalidades de golpe que surgem à medida que a tecnologia evolui.
Fontes: Jornal do Comércio, disponível em https://www.jornaldocomercio.com/opiniao/2026/07/1254960-no-mes-da-ia-um-convite-a-reflexao.html; Nações Unidas no Brasil, disponível em https://brasil.un.org/pt-br/318760-primeiro-di%C3%A1logo-global-sobre-governan%C3%A7a-da-intelig%C3%AAncia-artificial-ia









