A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) abriu uma chamada pública de R$ 7 milhões para apoiar empresas brasileiras no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à prevenção, à resposta e à recuperação diante de desastres. A divulgação da fase nacional ocorreu em 7 de outubro de 2026, dentro de uma iniciativa de cooperação internacional vinculada à rede EUREKA.
Os recursos serão concedidos na modalidade não reembolsável, ou seja, não terão de ser devolvidos pelas empresas selecionadas conforme as regras do edital. A proposta busca estimular projetos com aplicação prática em situações de emergência, como eventos naturais extremos e ocorrências provocadas pela ação humana, com potencial de uso em áreas como defesa civil, saúde, infraestrutura e comunicação.
Quem pode participar da chamada
A seleção é destinada exclusivamente a empresas brasileiras que participaram da etapa internacional da chamada e receberam o Selo EUREKA. Esse reconhecimento é necessário para que a proposta avance à fase nacional de análise e financiamento pela Finep.
Os projetos também deverão ser realizados em parceria com empresas de países participantes da iniciativa. A lista inclui Áustria, Bélgica — Flandres, Chile, Lituânia, Espanha, Turquia e Ucrânia. A cooperação internacional é parte central do programa e pretende aproximar empresas de diferentes mercados no desenvolvimento conjunto de tecnologias aplicáveis à redução de riscos e à gestão de emergências.
Instituições científicas e tecnológicas poderão participar como prestadoras de serviços de pesquisa e extensão. Dessa forma, a chamada permite a articulação entre empresas e organizações especializadas em pesquisa, sem alterar o foco principal do financiamento, que é apoiar as empresas brasileiras habilitadas na etapa internacional.
Áreas tecnológicas previstas
De acordo com a Finep, os projetos podem contemplar diferentes frentes relacionadas à resiliência a desastres. Entre os temas indicados estão inteligência artificial, sensoriamento remoto, sistemas de comunicação, infraestrutura resiliente, busca e salvamento, saúde em emergências, novos materiais e gestão de resíduos após desastres.
Na prática, o escopo abrange desde ferramentas capazes de apoiar o monitoramento de áreas de risco até equipamentos e sistemas destinados a melhorar a comunicação e a atuação de equipes durante uma emergência. A chamada também considera soluções para o período posterior ao desastre, quando a recuperação da infraestrutura, o atendimento à população e o gerenciamento de resíduos passam a ser prioridades.
A abrangência tecnológica permite que empresas de diferentes especialidades apresentem projetos, desde que as propostas estejam relacionadas à prevenção, à resposta ou à recuperação de desastres e cumpram as condições estabelecidas na chamada internacional e no edital nacional.
Valores, prazo e maturidade das propostas
Cada projeto poderá receber entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões em recursos não reembolsáveis. O prazo de execução será de até 36 meses, e as propostas deverão apresentar nível de maturidade tecnológica entre TRL 4 e TRL 8. Essa faixa indica que os projetos precisam estar além da pesquisa inicial e possuir condições de avançar em direção à validação e à aplicação de suas soluções.
O orçamento total de R$ 7 milhões será distribuído entre as propostas aprovadas, observadas as regras de enquadramento, avaliação e seleção previstas no edital. O valor máximo individual não significa que todos os projetos receberão a mesma quantia, já que o financiamento dependerá das características e das necessidades de cada proposta.
O envio dos projetos deve ser feito até 6 de novembro de 2026, às 17h, no horário de Brasília. Como a chamada é restrita a empresas que já participaram da fase internacional e obtiveram o Selo EUREKA, a oportunidade não corresponde a uma inscrição aberta a qualquer empresa brasileira sem essa habilitação anterior.
Cooperação internacional e impacto esperado
A página oficial do Programa de Cooperação para Inovação da Rede EUREKA apresenta a chamada como parte de um mecanismo de colaboração entre países para apoiar projetos empresariais de inovação. No caso brasileiro, a iniciativa concentra-se em soluções que possam aumentar a capacidade de prevenção e reação diante de desastres.
O tema ganhou importância para gestores públicos, empresas e equipes de emergência porque eventos extremos podem afetar simultaneamente moradias, redes de transporte, sistemas de energia, serviços de saúde e canais de comunicação. Tecnologias desenvolvidas com foco nesses desafios podem contribuir para decisões mais rápidas, melhor distribuição de recursos e recuperação mais organizada, embora os resultados dependam da execução e da validação de cada projeto aprovado.
Com abrangência nacional, a chamada permite a participação de empresas brasileiras de diferentes regiões. A expectativa é que os projetos selecionados transformem pesquisa aplicada em soluções capazes de apoiar comunidades, órgãos públicos e equipes responsáveis por atuar antes, durante e depois de situações de desastre.









