Prefeitura aguarda resposta sobre pedido de 30 novos leitos intensivos e dados mostram hospital operando acima da capacidade.
Quem já precisou de uma vaga de UTI em Mogi das Cruzes sabe que a espera pode ser angustiante, e um pedido recente da Prefeitura ao Governo do Estado de São Paulo reacende essa preocupação. O município protocolou um estudo técnico solicitando a abertura de 20 novos leitos de UTI adulto e 10 leitos de UTI pediátrica no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, unidade estadual que atende boa parte da demanda de alta complexidade da região A Prefeitura de Mogi das Cruzes aguarda uma resposta do Governo do Estado de São Paulo ao pedido formal que fez para a ampliação da oferta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, solicitando a abertura de 20 novos leitos de UTI adulto e 10 leitos de UTI pediátrica na unidade estadual. A dúvida que fica para o morador é simples e direta: por que a cidade precisa de mais leitos agora, e o que muda no atendimento até que uma resposta chegue? Entender os números por trás do pedido ajuda a dimensionar o problema. O Diário de Mogi
Por que Mogi das Cruzes pede mais leitos de UTI
O pedido não nasceu de uma percepção isolada, mas de um levantamento detalhado feito pela Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar sobre o funcionamento da rede de urgência e emergência. Segundo o material técnico, apenas no primeiro quadrimestre de 2025 as Unidades de Pronto Atendimento da cidade realizaram mais de 217 mil atendimentos, dos quais cerca de mil envolveram pacientes graves que precisaram de suporte intensivo imediato No primeiro quadrimestre de 2025, as Unidades de Pronto Atendimento de Mogi realizaram 217.109 atendimentos, dos quais 1.007 envolveram pacientes graves que necessitavam de suporte intensivo imediato, e 3.509 pessoas permaneceram em observação prolongada nas UPAs, com tempo médio de permanência de 12 horas e 54 minutos, aguardando transferência para hospitais. Esse tempo de espera prolongado é justamente o que mais preocupa gestores e famílias, porque cada hora a mais em observação pode significar risco adicional para quem está em estado grave. O Diário de Mogi
O diagnóstico também mostrou que o sistema de transferências hospitalares está sob forte pressão. Foram registradas quase 1,8 mil solicitações de transferência, e uma parcela relevante delas se enquadrou no chamado mecanismo de vaga zero, usado quando não há leitos disponíveis para atendimento imediato a pacientes críticos O levantamento também registrou 1.778 solicitações de transferência hospitalar, sendo 683 classificadas como vaga zero, mecanismo utilizado para garantir atendimento imediato a pacientes em estado crítico quando não há leitos disponíveis. Ainda assim, o Hospital Luzia de Pinho Melo tem absorvido a maior parte da demanda da região, o que reforça o argumento municipal de que a estrutura atual já opera no limite. O Diário de Mogi
O que a Prefeitura argumenta e o papel do Estado
Para a Secretaria Municipal de Saúde, o pedido não é uma simples solicitação política, mas um documento fundamentado em indicadores concretos de assistência. A gestão destaca que o volume de atendimentos, o tempo de permanência dos pacientes e o número de solicitações de vaga comprovam a necessidade técnica da ampliação A secretária municipal de Saúde e Bem-Estar, Rebeca Barufi, explicou que o estudo encaminhado ao Estado demonstra tecnicamente a necessidade da ampliação da estrutura hospitalar, avaliando o volume de atendimentos, o tempo de permanência dos pacientes nas UPAs, as solicitações de vagas hospitalares e a capacidade instalada da rede regional. Como o hospital é uma unidade estadual, a decisão final sobre a ampliação de leitos depende do Governo de São Paulo, o que explica por que a Prefeitura está, neste momento, em posição de espera. O Diário de Mogi
Essa dependência do Estado é um ponto importante para o leitor entender: mesmo com um diagnóstico técnico robusto em mãos, o município não tem autonomia para abrir os leitos sozinho, já que recursos, equipe e estrutura física de uma unidade estadual passam por outra esfera de gestão. Enquanto a resposta não vem, o hospital segue absorvendo a maior fatia das transferências de emergência do Alto Tietê, o que mantém a rede local sob pressão constante, especialmente em períodos de maior procura, como durante surtos sazonais de doenças respiratórias.
O que muda para quem depende do SUS na cidade
Para o cidadão que depende do Sistema Único de Saúde em Mogi das Cruzes, a expectativa é que a ampliação, se aprovada, reduza o tempo de espera por internação em casos graves e diminua a necessidade de acionar o mecanismo de vaga zero com tanta frequência. Isso teria impacto direto na rotina de quem já passou ou pode passar por uma emergência médica na cidade, já que menos tempo em observação prolongada geralmente significa cuidado mais rápido e mais seguro.
Até que o Governo do Estado responda ao pedido, a recomendação prática para a população é acompanhar os canais oficiais da Prefeitura e da Secretaria de Saúde, que costumam divulgar atualizações sobre acordos e parcerias na área da saúde pública. Vale lembrar que casos de urgência continuam sendo atendidos normalmente pelas UPAs e pelo SAMU, e o pedido de ampliação trata da estrutura futura da rede, não de uma mudança imediata no atendimento disponível hoje.
O caso de Mogi das Cruzes ilustra um dilema comum a diversas cidades médias do Estado de São Paulo, que dependem de hospitais estaduais para dar conta da demanda de alta complexidade, mas têm pouca influência direta sobre decisões de expansão dessas unidades. Enquanto o pedido tramita, o município segue registrando números que evidenciam a pressão sobre o sistema de saúde local, e a resposta do Governo estadual deve ser o próximo capítulo dessa história, com efeitos diretos sobre a vida de quem mora na cidade e depende do SUS em momentos de emergência.
Fonte: O Diário de Mogi, disponível em https://www.odiariodemogi.net.br/canal/saude/prefeitura-de-mogi-das-cruzes-reforca-pedido-de-ampliacao-de-leitos-de-uti-ao-governo-do-estado/









