Prefeitura discute com o Estado abertura de 30 novos leitos intensivos e prepara Maternidade Municipal e Cidade da Saúde
A pressão sobre o sistema de saúde em Mogi das Cruzes tem levado a Prefeitura a intensificar as negociações com o Governo do Estado de São Paulo em busca da ampliação de leitos de terapia intensiva e da estrutura hospitalar do município. No início de julho, o vice-prefeito Téo Cusatis e a equipe da Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar estiveram no Departamento Regional de Saúde (DRS-I) para reforçar o pedido de expansão da rede, tema que já havia sido protocolado formalmente pela administração municipal em maio do ano passado. A reunião reacendeu o debate sobre a capacidade de atendimento da cidade, que enfrenta demanda crescente por internações de alta complexidade.
O pedido protocolado pela Secretaria de Saúde solicita a abertura de 20 novos leitos de UTI adulto e 10 leitos de UTI pediátrica no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, unidade sob gestão estadual. A solicitação foi construída a partir de um diagnóstico detalhado da rede de urgência e emergência do município, que revelou números expressivos de pressão sobre o sistema. No primeiro quadrimestre de 2025, período usado como base para o levantamento, as Unidades de Pronto Atendimento de Mogi realizaram 217.109 atendimentos, dos quais 1.007 envolveram pacientes graves que precisaram de suporte intensivo imediato. Já 3.509 pessoas permaneceram em observação prolongada nas UPAs, aguardando transferência hospitalar, com tempo médio de espera de 12 horas e 54 minutos.
O peso da fila por vagas e o mecanismo de emergência
Entre os dados levantados pela Prefeitura, chama atenção o número de solicitações de transferência hospitalar registradas no período: 1.778 pedidos, dos quais 683 foram classificados como “vaga zero”, mecanismo usado para garantir atendimento imediato a pacientes em estado crítico quando não há leito disponível na rede. Esse indicador é um dos principais argumentos usados pela administração municipal para justificar a urgência da ampliação de leitos, já que o uso frequente da vaga zero costuma indicar sobrecarga estrutural do sistema de saúde local, e não apenas picos ocasionais de demanda. O processo administrativo sobre o pedido está atualmente em análise nas áreas técnicas da Secretaria de Estado da Saúde, que avaliam a viabilidade estrutural e operacional da expansão dentro do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo.
Durante a reunião com o DRS-I, o vice-prefeito Téo Cusatis reforçou o compromisso da gestão municipal em fortalecer a rede assistencial da cidade e destacou que o objetivo é alinhar estratégias que garantam uma organização mais eficiente da rede hospitalar, especialmente diante da inauguração prevista da nova Maternidade Municipal. O encontro também tratou da ampliação de vagas de hemodiálise no município e da revisão do atendimento em especialidades médicas com maior demanda represada, como ortopedia, oftalmologia e neurocirurgia, áreas apontadas pela própria administração como pontos sensíveis da rede pública local.
Novos equipamentos de saúde estão no radar da Prefeitura
Além da negociação por leitos de UTI, a Prefeitura de Mogi das Cruzes trabalha simultaneamente em outras frentes de expansão da estrutura de saúde. Está prevista a construção de um Hospital da Mulher e da Criança, no bairro de Braz Cubas, que deve funcionar de forma integrada à futura Maternidade Municipal e ampliar significativamente o atendimento materno-infantil da cidade. Outro projeto em andamento é a chamada Cidade da Saúde, que ocupará o prédio do antigo Liceu Braz Cubas, no centro da cidade, reunindo em um único espaço serviços como o Pró-Visão, o Pró-Exames e o Pró-Odonto, hoje distribuídos em diferentes pontos do município.
A lista de iniciativas ainda inclui a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde no Jardim São Pedro, aproveitando a estrutura de uma antiga escola do Sesi, e um novo Pronto-Socorro que deve ser erguido ao lado do próprio Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, obra anunciada pelo Governo do Estado. A administração municipal também menciona a reativação do chamado Pacto Hospitalar, mecanismo que busca ampliar e melhorar o atendimento em especialidades com maior fila de espera, unindo esforços entre a rede municipal e a rede estadual de saúde presente na cidade.
Para os moradores de Mogi das Cruzes, o desfecho dessas negociações tem impacto direto no dia a dia, já que a superação da fila por leitos intensivos e a chegada de novos equipamentos de saúde podem reduzir o tempo de espera em situações de emergência, hoje um dos pontos mais sensíveis relatados pela própria gestão municipal. Enquanto o processo tramita nas instâncias estaduais, a Prefeitura mantém o discurso de que a ampliação da rede é prioridade, ainda que o cronograma final dependa de aprovação orçamentária e de estudos técnicos que envolvem diretamente o Governo de São Paulo.
Fontes consultadas: O Diário de Mogi, Prefeitura de Mogi das Cruzes









