Reorganização entre Prefeitura e hospital filantrópico busca reduzir fila de espera por cirurgias ortopédicas na cidade a partir da mudança na rotina de atendimentos obstétricos.
Quem mora em Mogi das Cruzes e aguarda uma cirurgia ortopédica pelo SUS tem uma novidade para acompanhar nas próximas semanas. A Prefeitura e a Santa Casa de Misericórdia da cidade fecharam um novo plano de trabalho que amplia a oferta de leitos e procedimentos de ortopedia na unidade, aproveitando o espaço que se abre com a transferência gradual dos partos para a nova Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa. A pergunta que fica para o morador é natural: como essa mudança vai afetar, na prática, quem precisa de atendimento ortopédico ou obstétrico na cidade?
O acordo foi discutido em reunião entre o vice-prefeito Téo Cusatis e o vice-provedor da Santa Casa, Flávio Mattos, na sede da Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar, no bairro Mogilar. A decisão nasce de um movimento que já vinha se desenhando desde a inauguração da nova maternidade, em maio deste ano, quando a Prefeitura passou a transferir aos poucos os atendimentos obstétricos do SUS para a unidade recém-entregue depois de anos parada.
Por que a Santa Casa vai ganhar mais leitos de ortopedia
A lógica por trás da mudança é relativamente simples de entender. Enquanto a Santa Casa concentrava todos os partos do SUS realizados em Mogi das Cruzes, boa parte de sua estrutura ficava dedicada à obstetrícia. Com a nova maternidade assumindo esse papel de forma gradual, o hospital filantrópico ganha margem para redirecionar leitos e equipe para outras especialidades com alta demanda reprimida, entre elas a ortopedia, além de oftalmologia e neurologia.
Segundo a administração municipal, o objetivo direto do novo plano é reduzir o tempo de espera de pacientes que aguardam internação e cirurgias ortopédicas, uma fila que costuma ser longa em cidades de médio porte da região metropolitana de São Paulo. O vice-prefeito Téo Cusatis afirmou que a rede de saúde está sendo reorganizada de forma planejada para que cada hospital exerça sua vocação e atenda melhor a população, destacando que a abertura da nova maternidade permite ampliar a capacidade da Santa Casa justamente na área em que existe maior demanda.
O calendário da transição na maternidade e na Santa Casa
A movimentação ocorre em etapas desde maio, quando começaram os atendimentos do Programa Mãe Mogiana, com consultas, exames e acompanhamento pré-natal na nova unidade. Em agosto, a maternidade passa a realizar os partos agendados, com a entrada em funcionamento da UTI Neonatal e do alojamento conjunto. A expectativa da Prefeitura é concluir toda a operação em setembro, quando devem abrir o Pronto Atendimento Obstétrico, os serviços de gestação de alto risco e os demais atendimentos previstos para a unidade.
Com essa conclusão, todos os partos realizados pelo SUS em Mogi das Cruzes passam a ser concentrados integralmente na nova maternidade, que é operada pelo Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz, organização que atua em cooperação técnica com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, uma das instituições mais bem avaliadas do país. Já foram integrados 186 novos colaboradores contratados especificamente para essa nova fase do complexo hospitalar, o que indica que a estrutura de pessoal está sendo montada com antecedência para dar conta da demanda.
O que esperar para quem depende do atendimento ortopédico ou obstétrico
Para as gestantes, a mudança significa que o atendimento obstétrico pelo SUS passa a ter um endereço fixo e uma estrutura dedicada, algo que tende a facilitar o planejamento do pré-natal e do parto. A Prefeitura já garantiu que, durante todo o período de transição, uma ambulância ficará disponível 24 horas na portaria da Santa Casa para atender gestantes que eventualmente procurem o local mesmo depois do encerramento das atividades obstétricas ali.
Já para quem aguarda cirurgias ortopédicas, o benefício esperado é a redução do tempo de espera na fila de regulação municipal, à medida que a Santa Casa direciona mais leitos e capacidade cirúrgica para essa especialidade. A Santa Casa de Mogi das Cruzes opera atualmente com 193 leitos e atende mais de dois mil pacientes por dia, entre usuários do SUS, particulares e convênios, o que dá uma ideia do volume de atendimento que passa pela reorganização anunciada.
O acompanhamento dos próximos meses será importante para confirmar se a redução na fila de ortopedia se concretiza no ritmo esperado pela administração municipal. De todo modo, a decisão sinaliza um esforço concreto de reorganizar a rede pública de saúde da cidade, direcionando cada unidade para a área em que consegue oferecer o melhor atendimento à população mogiana.









